terça-feira, 23 de novembro de 2010

Tempo, voa, não volta...

Tic-tac do relógio,
Minha vida em trailer de filme;
Os relógios de Dali escorrem,
por entre frestas de paredes desbotadas.

Meus olhos
- Abrem
Os ponteiros,
não se cansam.

Onde estão meus olhos?
As cores?
Os ponteiros?

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Apenas isso...

Gostaria apenas do toque do coração, de sorrir feito boba pela barriga, e não mais ser este vácuo humano, que me tornei, já não mais posso sentir meu coração, depois quea tu partistes peor aquela porta branca, meio translúcida, e não mais voltou...
e tu que dizias que eu era forte e soberana... bobagem. Veja só quem é o forte: você, esta bem, tens novo trabalho, nova vida, nova mulher, novos amigos, até mesmo uma parte pequenina de ti chegando, e eu? Eu nada tenho de novo senão alguns quilos a mais... sou apenas ruinas falidas de meu ser, nem mesmo sei o que eu sou.

Você que era assim, meio calado, quando sorria ou me olhava, teus olhos eram tão cheios de perguntas e dúvidas, tão cheio de vazios que nunca soube porque, teus olhos silenciados me cortavam ao meio, por isso te deixei sair pela porta branca-translucida, por isso, não corri como um foguete atras de você. Eu me achava incapaz, e teu silêncio me matava aos poucos,  fui perdendo toda a força que você achava que eu tinha, e nunca tive!

E penso em você, não de forma continua, mas penso alguns dias... as vezes sonho, as vezes não sei dizer o que é sonho ou devaneio... e penso que tu esta se enganando mais uma vez, e desistiu da tua liberdade, assim como se tivesse mais uma vez caido na tocaia que te deixa magoado, preso ou sufocado; As vezes acho que tu podes ter entendido a dividir e ser feliz assim, e esta sim feliz e completo. Quando penso em ti, na segunda opção, sorrio por dentro, pois tudo que me importa é que tu estejas bem, assim sorrio pensando em ti sorrindo!
Você correu, e escorreu, bateu a misera porta branca, e entrou em outra porta, seguiu outro caminho, e eu fiquei ali no abismo de nossas vidas falidas, no mesmo lugar, você avançou e eu fiquei  ali paralizada como um cadaver, no mesmo canto. 

"...Sei com medo o que trouxe você aqui foi esse meu jeito de ir vivendo como quem pula poças de lama, sem cair nelas, mas sei agora que esse jeito despeaça. ... Sou só poeira, me espalho em grãos invisíveis pelos quatro cantosdo quarto. Fico noite, fico dia." (Caio F. Abreu)

Não fui eu capaz de realizar teus sonhos, e tinhamos tantos...nos dois não fomos capazes, porque não eramos pra ser, simples assim. Já não adiantava mais lutar por nada, já tinhamos nos dois destruido nosso castelo; Já não era mais explosivo como nossa primeira vez... ou até mesmo como no topo da duna de areia, pertinho da lua...

Em minha volta meu próprio caos, perto de ti a paz...estranho...estranho... Tome você conta de ti e de tua família, não erre com os mesmos erros, não te culpes, não te destrua, não te arranque pedaços, você não tem culpa de meu caos, ele sempre existiu, só era mais equilibrado com tua paz.

Esta perto de ti é sentir-me abraçada, teus olhos são confortantes como um cobertor limpinho em dias frios...

Eu não tenho medo de tentar, não tenho medo de cair, não tenho medo de você, não tenho medo do mundo, tão pouco de correr riscos, ou da morte, mas tenho medo da areia movediça que sou. Sou eu, o meu próprio medo.

"... desaprendi de ver sozinho e agora que tudo perdeu a magia, se magia houve, e havia e não consigo mais ver... já começou a devastação,olhos perdidos, boca de baufrágio vermelho pesado sobre o escuro...olho tudo isso que vejo e não tem outra magia além dessa a de ser real, e vou dizendo lento, como quem tem medo de quebrar a rija perfeição das coisas... e vou dizendo louco, e vou dizendo longo e sem pausa- gosto muito de você gosto muito de você gosto muito de você." (Caio F. Abreu)

Não te culpes por minha dor, tão pouco por meu fracasso! Se queiras, te explico, te explico quantas vezes quizeres: é só carência, de ter quatro pernas ao dormir; de ter quem cheirar sobre os lencóis, corpos entrelaçados; de trocar lençol sujos de amor; de acordar sendo olhada; de fazer jantar a luz de velas, mesmo ainda quando odeio cozinhar: - eu não odiava; de sorrir por nada; de voltar pra casa sabendo que alguém me espera; de mãos dadas; de beijar com o coração disparando; de tremer; de cuidar; enfim de não ser sozinha.

Por enquanto vou te procurando no alheio, e um dia quando eu cansar de te procurar, esse a quem espero poderá chegar...ou não, ja ouvi alguém falando que o amor não é para todos.

domingo, 31 de outubro de 2010

um domingo qualquer

meus pensamentos rodopiam em teu cheiro
buscando teu gosto quase incolor em mim;
suspiro!
meu olhar está seco, como o deserto onde tu vives!

te bebo;
te respiro;
te dispo:

e me dou de presente na bandeija,
assim como um leitão natalino,
bronzeado com a maça na boca!

domingo, 24 de outubro de 2010

DES

DESamor:
DESmoronamento de meu ser
DESerdado pela vida

DESpido por você
DEScuidado por mim
DESvairado como eu:
DESfaz!

metade de mim: você!

http://peisanng.com/portfolio/matches-passion/


Meio silêncio;
Meia paz;
Meio caos;
Meio medo;
Meia verdade;
Meias palavras;
Meio beijo;
Meio juntos;
Meio amor;
Meio coração;
Meio você;
Meio eu:
partindo ao
MEIO!

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

minhas cores morreram

Hoje & ontem andam de mãos dadas, e mais uma vez por mim não dormidos... eu abracava "fred", que de tão pequeno escorria pelos meus braços, hoje joguei fred para ser morida de tofu! 
Sim! Tenho vergonha de ser demente como sou; demente ondea toda hora que me aproximam vito piada e todos brincam com meus sentimentos, quando não correm com medo deles, evaporam assim como agua fervida na panela, sobem e misturam-se no ar, sem fazer barulho.... simples assim: somem!

E foi assim que acordei com a queda de meu Império! Coisas fortes e avassaladoras, acontecem para pessoas mediocres, como você! Queria ser outro, queria não ser!

"... e se lúcidos nos reconhecíamos precarios, caretes,incompletos... Derramar de ternura do vazio de minhas mãos, meus olhos quase verdes de tanto amor recusado,emoções informuladas pelo silêncio de noturna precisão." (caio)

Minhas cores morreram hoje quando acordei pela décima vez, fiquei pálida, sem cor, sem vida alguma... mais uma vez deixei que me cortassem ao meio, que arrancassem do meu peito meu coração golpeado. Enquanto isso, eu chorrava e o observava esmaga-lo com os pés sujos de lama... Ali estava, morto: meu coração, como se fosse um mizero cigarro apagado na calçada.

Não quero mais gritar a dor de sentir dor! Não quero mais deixar-me ferida dessa forma! Não quero mais sentir! Queria sim, ser uma pedra, e viver inerte na natureza!

Uma pedra, apenas uma pedra, de qualquer cor, de qualquer forma, de qualquer tamanho, desde que uma pedra!

Uma pedra não sente dor, não é ferida:
nem mesmo quando lançada, nem mesmo quando pisada.

Continuaria ali, sendo nada mais que uma pedra, sem sentimentos, sem doer, sem chorar vermelho, sem feridas, sem cicatrizes; Pura de maldades, pura de desejos: não fere, não ama, não doí! 
Uma pedra, não lamenta dor, não transpira vontades, não espera por alguém, parece ser um sabio, não sente, e é apenas: uma pedra!

terça-feira, 19 de outubro de 2010

caiobranco

let the right one in


cobra não tem ouvido, mas lingua de cobra quer recitar poesias
poesias de teu ser, por mim desenhado;
cobra também não tem braços, mas lingua de cobra passeia em morros
morros de areias, são dois, os morros meus.

me abraça sem pensares:
nem mesmo 15 minutos,
nem mesmo me prenderás entre quatro paredes brancas

era uma cobra branca,
assim como um sonho branco,
uma poesia branca.

a noite cai a neve,
o lábio da cobra,
sobre meus lençóis brancos,
parece noite de neve branca;
- faz-se um terremoto no japão!
te sonho banhado em branco;
era apanas sonho,
olhos de cobra,
luz branca em face branca,
lágrimas e soluços brancos;
eis que então viro pro lado:
abraço, caio, durmo...
acordo branco!

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Olhos vermelhos

Imagem: Ray Caesar
Eu não quero mais ser alguém má,
afastando amores como espinhos afiados...

Eu não quero mais doer alguém gostado,
derretendo doces corações de chocolate branco ...

Eu não quero mais que esse monstro que vive em mim,
tome conta de meu espírito perturbado...

Eu não quero mais que minha língua -
mais brilhante que espada em campo de batalha-
reflita o sangue de meu príncipe amado...

Ele luta por mim, ele agora tem medo:
ele se trancou em algum lugar...
- eu ja não mais posso vê-lo, mas ouso seus soluços abafados.

Imagem: Ray Caesar


Eu não quero mais ser covarde e ter medo de amar!
- mereço trocas de mãos, que não sejam minhas duas, fingindo ser quatro.

Eu não quero mais ninguém me chorando vermelho!

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

eu e voce nao somos hoje nos nao seremos amanha

photographs by Margaret M. de Lange


Abri a porta te procurando e achei o vazio somos
Você e eu um silêncio escuro e vazio nos não somos
Mais desculpe meu amor mas corri muito e cheguei
Na frente nos desencontramos e por isso não somos
Voce não conseguiu correr como um coelho porém não
Se culpe meu amor nasço & cresço rapido 
Ninguém me acompanha ando só como nasci só uma
E tenho sede se ninguém me rega morro rapidamente
Sou frágil e rara e você não regou nosso amor e
Ele morreu de sede.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Livros:

Clarice,
Benjamin Moser, CosacNaify

A Loja dos Suicidas,

Jean Teulé, Ediouro


Tio Petros e a Conjuntura de Goldbach,


Apostolos Doxiadis, Editora 34


A Paixão Segundo G.H,

Clarice Lispector, Rocco

Esquimó,

Fabricio Corsaletti, Companhia das Letras