sábado, 19 de fevereiro de 2011

carruagem

 (imagem Maurizio Anzeri)
 
da janela do trem veloz
passam correndo paisagens
tao rapidamente que mal consigo sentir
o cheiro do campo
ficaram apenas memorias sonhadas
de campos floridos
de ceus abracados anoitecidos 

o sol foi junto com a ultima fotografia 
a nova trouxe a chuva, o cinza e o vazio
todos eles, renunciaram ao trem

contunuo no mesmo vagao solitario
olhando todas elas, as imagens 
se desfazerem na velocidade silenciosa


segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

sonhos acordados em verde

hoje acordei tao longe que nao reconhecia o lugar de onde eu estava
passeavamos o cachorro, e cantavamos como os passaros,
era de manha e tudo era verde.

hoje acordei tao longe que quase consegui sentir o cheiro de onde estava
estavamos sorrindo, andando numa reta que virava curva
era um dia claro, e verde, lord auch estava la.

hoje acordei tao longe de voce que nao reconheci as paredes de onde estava
dormimos separados, mas acordamos juntos como de costume
era manha, em campo estrangeiro, fazia sol.

hoje acordei tao longe que ainda acordei num sonho
seguravamos as maos, e juramos nao sermos frageis
era um barco de sonhos verdes, e a manha mais linda.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

era uma vez uma menina de verdes-olhos

Posso lembrar-me da primeira vez que a vi,
os cabelos dela brilhavam mais do que os raios de sol
do meio da manha....
e voavam como passaros
Que cantam felizes rodeando praia em por-do-sol

Ela tinha sonhos bonitos, desses que tem lacos de fitas e cores,
tao bonitas eram as cores, e os sonhos...
E seus olhos verdes-azeitona-oliva,
nunca vi nenhuma flor de nenhuma arvore
verdes como aqueles olhos...

Ate que um certo dia: o relogio rodou ao contrario,
o dia anoiteceu, A menina virou mulher, os cabelos ja nao brilhavam,
os passaros debandaram, As praias congelaram, o mar secou,
assim como os verdes olhos
- Todas as folhas das arvores cairam assim como caia verde dos olhos da menina-mulher
(tonaram-se vazios e opacos)

Os sonhos nao eram mais sonhados, o sono nao era mais dormido
As cores desbotaram...
Palida era ela, e tudo em que ela tocava morria...
E foi assim que o livro acabou, e ao fim do filme
- ELa desistiu de achar que era, pois ja nao poderia ser

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

eu, a outra

sou eu esta outra menina
esta que caminha miúdo
se ela não sou
esta que miúdo caminha
dita-me quem sou
senão ela que caminha miúdo
aqui temos ela e eu
mesma imaginação
em conchas ...
não aquaticas, não marítimas
aquelas as quais não tenho mais

eu e ela
eu e a concha
eu desenconcho-a
eu e a cama desconchada
eu e ela
em lençóis brancos
mas não em brancos claros

um branco escuro
frio e solitário

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

saudades:

foto: beatriz pontes
 
do ar poluído, dos barulhos dos carros, do cheiro da marginal, do transito caótico, dos clientes, das ruas, das cervejas quentes, das flores, da praça, da lojas, do trabalho...
das pessoas que não tinha tão perto, dos amores que não cheguei a ter, das compreençoes, das trocas de filmes, de livros, de assunto, de olhar pra lampada pendurada no teto de meu quarto, das pessoas que não pude ter, do cheiro do meu edredom,do fim dos tempos..
dos cultos micaelisticos à bacco, dos vais-e-vens de humor, dos azuleijos descascados do banheiro, da augusta, do caos, dos amigos desenhando em meu corpo, de outros desenhos não coloridos, de dias de meninas com as amigas, do ritz, do chão branco da cozinha, da minha gladeira vazia, do pitta, das noites, do varal, dos olhares partidos, das viagens até guarulhos... 
dos prantos, das não vontades, de acordar ao meio dia, das meias alegrias, das pessoas feias,de tudo sinto falta, meu caos era ali, minha raiz está ali, mas eu: não estou. 

domingo, 28 de novembro de 2010

qual.quer

Qualquer coisa que não fui
Não será coisa qualquer
Que jamais fora qualquer até
Tal coisa que não fora jamais
Tomou posse do que já não era
E já não sendo fui transformada em
Tal coisa qualquer que jamais fora: eu!

Letras gritadas, não audíveis.

"Cartas para além do muro"
Poderia eu, ser remetente de
- Cartas para o fim do mundo?

Ou que ao mesnos mudem minha
- Chave para o fim dos tempos.

Já não posso respirar com:
                                                     - O Fim dos ares em meus pulmões.


"No fundo do peito esse fruto
apodrecendo a cada dentada."
Macalé e Duda: Hotel das Estrelas.

Groelândio

Era tudo tão branco,
quando ele chegou;

E eu o olhei tão friamente,
cheguei a perfurar os descorados olhos dele.
...
Da mesma forma clara,
com que ele,
metralhou meu coração morfado;

Ele,
O esquimó.

Animar*

Animar
(Latim: Ani, a-menina que não na-da-va)
a-ni-mar
v.tr.

Ani foi pro mar,
morreu ali,
- a pobrezinha.
Cheia de sopa de sal na barriga.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Aqui doa-se amor

Ela espalhava amor:
por baixo dos lençóis de cetim brancos,
sobre os móveis empoeirados da sala de jantar,
no chão limpo com cheiro de madeira antiga,
pelas paredes desbotadas de cores transparentes,
por cima de perfeitos corpos rijos.

Ela não cedia, não emprestava, ela transbordava
AMOR!